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O MARKETING DIGITAL ESTÁ NOS FORÇANDO insistentemente A COMPRAR COISAS INÚTEIS

Com todo mundo trabalhando na web para ter seu espaço ao sol, as relações de internet se transformaram num grande comércio árabe a céu aberto. Se vende de tudo, e essa intenção é descaradamente visível e insistente ao ponto de tornar a web um local desagradável de se navegar, com relações comerciais exageradas, promovidas pelo marketing digital.

Os aplicativos e sites com a desculpa que fornecem conteúdo e serviço gratuitos se apoderam da premissa para bombardear você com intrusas janelas chamativas, muitas vezes forçadamente provocativas e dissimuladas para confundir a propaganda com o conteúdo afim de que inadvertidamente, como que por um vacilo do internauta, este clique na tal publicidade para desviá-lo de seu verdadeiro motivo de estar ali. Tudo para conduzi-lo por desvios ardilosos do marketing digital. Se você não compra, pelo menos querem teu lead para te encher mais ainda de propaganda.

E se você clica ou deixa seu email, já sabe: aquilo vai te perseguir. Um exemplo são os trackers que te seguem após você pesquisar sobre um determinado produto. Imagine a situação em que você está querendo produzir um meme para zoar com um amigo seu, e procurar por berrantes – aquele instrumento musical feito a partir de um chifre de boi. É óbvio que você não está procurando por melhores ofertas deste produto, queria apenas uma imagem para ilustrar. Depois disso sua vida não tem mais sossego. Você vai ler sites de notícias ou coisas do trabalho ou universidade, e lá está acompanhando você chifres de boi para vender por todo lugar que você navega. Acaba você sendo o zoado. Não pode mais abrir um site de notícia na frente da namorada, que voa um chifre na tela! Outra situação é quando você está fazendo uma pesquisa sem nenhuma intensão de compra, as vezes até procurando algo pra um amigo, mas algo pontual mesmo, só naquele momento. O trackers se acham muito espertos, mas eles são tão burros que não percebem isso, o que acaba muitas vezes te chateando mais que conseguindo te vender o produto.

Certa feita estava eu conversando com um amigo sobre como o WD-40 ou Whitelub que é uma marca concorrente, poderia ser usada para tirar a ferrugem de conectores de velhos equipamentos. O teor dessa conversa ocorreu em um áudio do Whatsapp. O resultado foi que até hoje me deparo com publicidade de WD-40 nas timelines da vida, ao ponto de ter hora que irrita. Mas nada é pior que o tiozinho que não entende de como as coisas funcionam e navega em sites adultos sem utilizar a aba de privacidade ou bloqueador de popup. Quem utilizar o computador em seguida vai achar que está fazendo tour na Red Light District de Amsterdã…

O marketing digital nos bombardeia e nos segue persistentemente enquanto navegamos e pesquisamos na internet

A crescente onda de assinaturas do Youtube Premium tem um grande motivo. As pessoas estão assinando o serviço com o apelo vencedor do Youtube pela promessa de se livrar das publicidades que aumentam a cada dia. Não se consegue mais assistir a um vídeo sem estar logado com o premium, sem ser interrompido diversas vezes. Eles podem até alegar que oferece um conteúdo exclusivo, chamado Origins, ou que você pode assistir ao vídeo simultaneamente com outros aplicativos, até mesmo tendo bloqueado o celular e com a tela apagada, ou que há uma ferramenta para somente áudio, o Youtube Music. Mas o que chama a atenção do internauta que assina o plano é mesmo o fato de poder se livrar dessas publicidades. Mesmo assim, vemos um crescente aumento dos youtubers em fazer merchandising dentro de seus próprios vídeos como forma de compensar a queda de receita que o Youtube os impõe através de seu plano premium, ou pela diminuição das porcentagens de ganho, e exigências cada vez maior para ter algum destaque. Sendo assim, o que estamos vendo é um retorno daquela publicidade televisiva onde o apresentador recomenda determinado produto ou serviço. Não tem jeito, a publicidade parece que não consegue aprender uma forma de ser amada pelos seus telespectadores.

Algumas superproduções conseguiram até atrair a atenção de uma parte do publico mais jovem. Como um comercial de carro que criou um cenário de caverna do dragão. Mas comerciais assim são caros, não é pra qualquer um. Exige uma boa dose de genialidade, e no fim, passada a novidade, se torna chato igualmente aos demais. Serviços de stream como o Netflix e Prime Video estão substituindo a assinatura tradicional de canais a cabo, por dois primordiais motivos: a programação fixa que demanda de estar na frente da TV no horário combinado para a exibição do programa, e as interrupções das chamadas de publicidade, os conhecidos comerciais. As pessoas preferem pagar entretenimento televisivo ondemand, que possam escolher quando e como assistir o quê. Resta saber quando a industria da publicidade vai se dar conta que está insistindo num modelo fadado ao fracasso, que a tecnologia se renova, mas as velhas práticas de publicidade continuam as mesmas daquele tempo em que o vendedor passava de porta em porta pra vender a Enciclopédia Bassa.